Homem de la mancha

A montagem do musical “O homem de la mancha”, de Miguel Falabella, que estava no teatro SESI gratuitamente, e foi um sucesso absoluto (não consegui ingresso, tamanha a procura na época), teve sua reestreia no teatro Alfa neste ano, com vários atores do elenco original, especialmente Dom Quixote, Sancho Pança e Dulcinéia. A peça ganhou vários prêmios, como o APCA de Melhor Espetáculo de Teatro e Melhor Ator de Teatro para Cleto Baccic.

Fui assistir e fiquei encantada! É um musical antigo, de 1965, montado no Brasil pela primeira vez em 1972, mas que tem músicas clássicas, que você reconhece mesmo não conhecendo nada sobre ele. Essa foi minha sensação, quando ouvi, por exemplo, The impossible dream, ou Dulcinéia. A parte musical é linda demais!

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A história começa quando Miguel de Cervantes é internado em um manicômio (na versão original é uma prisão), e tem que defender-se em um julgamento proposto pelos demais internos. Ele recorre então a sua obra máxima, Dom Quixote, e passa a contar as aventuras de Alonso Quijana como o cavaleiro errante.

Quando fui assistir, a cantora Fafá de Belém fez uma participação especial, e foi muito bom poder vê-la ao vivo.

Rent!

O musical Rent foi certamente um marco na Broadway, e desde a sua estréia, em 1996, rendeu outras muitas montagens, e até um filme, feito em 2005, com quase todo o elenco original do teatro. Jonathan Larson foi o responsável pela criação de Rent, baseado na ópera La Boheme, de Puccini, trazendo a tona temas como AIDS, drogas, homossexualidade e o desemprego.

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A nova montagem de Rent estreou aqui em SP no Teatro Frei Caneca, e nasceu de um esforço coletivo entre vários atores de teatro musical, encabeçados por Bruno Narchi, que queriam participar do projeto, e colocá-lo nos palcos. E o resultado disso ficou muito, muito bom! Acho que apesar do assunto da AIDS ter envelhecido consideravelmente, a música ainda permanece atual, e a amizade entre os personagens também. Talvez você nem saiba, mas já deve ter ouvido algum trecho da famosa Seasons Of Love, que praticamente virou o tema de Rent.

Não deixem de assistir, é lindo e bem tocante! Rent está em cartaz no Teatro Frei Caneca ate de 01 de março.

 

Yentl em Concerto

Na semana passada, numa segunda-feira não muito animadora, minha amiga Nati me chamou para ver o show da Alessandra Maestrini, que talvez a maioria das pessoas conheça por seu personagem Bozena, de Pato Branco, em “Toma Lá, Dá Cá”.  O que muita gente não sabe é que ela é uma grande cantora também, e já fez vários musicais e espetáculos aqui. Eu não assistia à série, mas já sabia que ela arrasava como cantora.

Eu não conhecia nada sobre essa apresentação, mas quando chegamos no Teatro Porto Seguro, logo me deparei com a propaganda: Alessandra Maestrini em Yentl em concerto. Que surpresa boa! Eu adoro a Barbra Streisand (tive uma fase em que ouvia muito, gravei até um cdzinho com as músicas que eu mais gostava), e assisti Yentl há muitos anos com minha mãe.

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Mas quem é Yentl? É uma moça judia que no início do século 20, após a morte de seu pai, decide se vestir e fazer passar por homem, para poder estudar, já que somente aos homens era permitido o conhecimento sobre a Torah e o Talmude. Esta história foi escrita por Isaac Bashevis Singer sob o título de “Yentl – The Yeshiva Boy”, e posteriormente foi transformada em filme, em 1983, com Barbra Streisand, que o produziu, escreveu e dirigiu!

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O concerto, portanto, é baseado no conto e no filme, e ao mesmo tempo em que Alessandra nos conta a história, também canta as canções que são parte do filme, e são belíssimas. No palco, somente ela e o pianista, João Carlos Coutinho. É um espetáculo delicado ao extremo, intimista, que nos faz pensar no tema central, que é tão atual. E apesar de toda a trama de Yentl não ser das mais leves, Alessandra consegue trazer o humor para várias passagens, fazendo a platéia rir.

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Gente, é lindo demais! A criação, roteiro e direção são todos da Alessandra, e ela lançou um CD e DVD com o espetáculo.

Infelizmente esta temporada já acabou, mas talvez o DVD possa mostrar para vocês do que estou falando.

Encontrei esses vídeos no youtube, com duas músicas lindas: Papa can you hear me e Where is written. Escutem, e vejam que voz maravilhosa!

Divas: o musical

Este post acabou ficando velho, o musical até já saiu de cartaz e foi para o RJ, mas fica o registro aqui.

Tive a sorte de poder assistir a estréia do musical Divas, que contou com a presença de ninguém menos que Claudia Raia, casada com o diretor da peça, Jarbas Homem de Mello, além de outras várias estrelas dos musicais, como Kiara Sasso, Myra Ruiz (a Elphaba de Wicked!), os atores de Ghost, etc. Foi muitoooo legal poder vê-los de perto.

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Este musical gira em torno basicamente das músicas de grandes divas da música mundial (ou norte americana, na verdade) como Cher, Madonna, Beyonce, Whitney Houston, etc. Achei o roteiro bem inovador, pois transforma o teatro num reality show musical. É assim: são três amigas que tinham uma banda, e estavam atingindo certo sucesso, mas por algum motivo, que a gente não sabe até o final da peça, se separaram, e seguiram caminhos diferentes. Após a separação, uma delas vai trabalhar num foodtruck, a outra é garçonete, e a terceira tem uma loja de roupas, e todas estão frustradas. Até que um dia, as três se reencontram num reality musical, e daí a história se desenrola.

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O reality tem um apresentador que conduz toda a trama, e a plateia inclusive consegue votar na candidata que prefere, e nas músicas que quer ouvir durante a competição, tudo pelo site do musical. Super interativo. E como as músicas são todas conhecidas, é como se você estivesse num show, dá pra cantar junto e tudo.

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Na platéia, estavam algumas covers da Cher, Madonna, Beyonce, etc. A Cher era perfeita!

Achei muito divertido! E as meninas arrasam, principalmente Jennifer Nascimento, que tem uma voz maravilhosa!

OBS: as fotos lindas da Claudia Raia e das covers foram tiradas pela minha amiga, Nati Luz! 🙂

My Fair Lady

Há algumas semanas, fomos assistir ao musical My Fair Lady, que está em cartaz no Teatro Santander, e foi lindo! Este musical é uma adaptação da famosa peça “Pigmaleão” de Bernard Shaw, e deu um trabalhão para ser adaptada ao formato do teatro musical, vindo a estrear na Broadway em 1956, com Julie Andrews no papel de Eliza Doolittle e Rex Harisson como Prof. Higgins. As músicas viraram hits na época, e o espetáculo ganhou o Tony de melhor musical naquele ano.

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Posteriormente, em 1964, foi feito o filme da mesma história, com Audrey Hepburn no papel de Eliza (dublada nas canções por Mani Nixon), e o mesmo Rex Harrison como Higgins. Neste ano, eles levaram oito Oscars pra casa! Deu pra perceber que My Fair Lady é um sucesso, não é?

Mas vamos a história, de forma bem resumida: Henry Higgins é um professor de fonética da alta sociedade londrina, que se orgulha de conhecer toda e qualquer espécie de sotaque apenas ao ouví-lo, identificando inclusive a origem da pessoa, e numa noite qualquer, encontra Eliza Doolittle, uma pobre florista que vive nas ruas de Londres. Ele fica horrorizado com a forma como Eliza fala, e aposta com o amigo Pickering, que conseguiria transformá-la em pouco tempo numa dama.

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© Joao Caldas Fº

Nesta montagem de Jorge Takla, quem faz o papel de Higgins é Paulo Szot, um cantor lírico brasileiro que fez toda sua carreira no exterior, e inclusive ganhou um Tony, pelo musical South Pacific. Este é o primeiro musical que ele faz no Brasil, e claro que, ele é a grande estrela da produção. E de fato, ele é maravilhoso! Daniele Nastri faz Eliza, e de uma forma bem doce, adorei ela. Os cenários são super bem feitos, e o figurino é deslumbrante. A cena do baile, e da corrida de cavalos é de cair o queixo, de tão luxuosa.

ARQUIVO 24/08/2016 CADERNO2 / CADERNO 2 / CAD2 / CAD 2 / C2 / C 2 - Daniele Nastri no musical My Fair Lady, dirigido por Jorge Takla. Foto João Caldas Filho

Acredito, no entanto, que por ter sido adaptado de uma peça de teatro, o musical seja um pouco cansativo, pois são muitas e muitas falas, e só depois é que vem a música. Na primeira parte, nos divertimos bastante, e tocaram as principais músicas. Já após o intervalo, o texto parecia arrastado, e deu até um pouco de sono, coisa que nunca aconteceu comigo antes em musicais anteriores. Outro ponto que destaco aqui é que, não se trata de uma história de amor propriamente dita. Existe um sentimento que nasce entre Higgins e Eliza, mas é muito sutil, e durante a maior parte da peça, ele a trata bem mal. O foco, na verdade, está na diferença de classes, e entre homens e mulheres na Londres do século passado.

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Como disse minha amiga Nati, este é um musical para os fortes! Mas é um clássico belíssimo mesmo assim, e as músicas são tão boas, que viraram grandes canções populares.

Por fim, uma palavrinha sobre o Teatro Santander. Ele é novíssimo, e fica colado ao shopping JK Iguatemi. Os lugares todos parecem ter uma visibilidade ótima, ficamos no balcão nobre, e vimos perfeitamente. Mas o que eu mais gostei foi do som perfeito, sem ruído, sem nada! As vezes, em alguns musicais, a gente não consegue entender direito o que os atores cantam em certas partes, ou quando falam mesmo, e neste teatro o som é limpo e claro demais.

Aqui, um vídeo do youtube Cena Musical, com a famosa canção “I could have danced all night” (traduzida para “Agora eu vou dançar”):

Informações:

My Fair Lady

em cartaz no Teatro Santander até 06 de novembro

ingressos em: ingressorapido.com.br

Ghost- o musical

Acho que todo mundo se lembra do filme Ghost, e da antológica cena em que Demi Moore e Patrick Swayze fazem cerâmica juntos, ao som de Unchained Melody dos The Righteous Brothers, não é? Eu perdi as contas de quantas vezes assisti este filme na sessão da tarde quando criança, e também me lembro que tinha um pouco de medo das cenas dos espíritos do mal.  É um grande clássico, sem dúvida.

Pra quem não viu o filme, é o seguinte: Sam e Molly são um casal apaixonado, que numa noite voltando para casa sofrem um assalto, em que Sam é baleado e morre. Depois de morto, ele fica preso entre os dois mundos, e vai descobrir, com a ajuda de uma falsa vidente, que sua morte não foi acidental.

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Em 2011, a história do filme virou um musical, que estreou primeiro em Londres, no West End, e depois foi pra Broadway. Infelizmente, nos EUA, a peça não fez muito sucesso, e ficou poucos meses em cartaz, apesar dos elogios aos muitos efeitos especiais da produção.

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A montagem brasileira tem direção de José Possi Neto, e no elenco, André Loddi (que fazia o Fiyero em Wicked) como Sam, Giulia Nadruz como Molly, e Ludmillah Anjos como Oda Mae Brown. Fui assistir neste último final de semana, e é a coisa mais linda, romântica e triste! Não consigo entender o por que de não ter feito sucesso lá fora, as músicas são super bonitas, e não tem como não gostar da história de amor de Sam e Molly.

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O musical é todo tecnológico, e eles abusam de projeções, de luzes e truques, para nos transportar para Nova Iorque, ou para fazer objetos e pessoas flutuarem, saírem do corpo (cena muito bem feita de quando Sam morre),e etc. E claro, tem uma versão linda de Unchained Melody tocada por Sam no violão.

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Mas quem rouba a cena completamente é  Ludmillah Anjos, que faz a vidente Oda Mae. Fizeram uma versão baiana muito engraçada da personagem, e o povo se mata de rir quando ela aparece. É o ponto descontraído da peça.

Os musicais chegaram num nível tão bom aqui no Brasil, que acho difícil algum ser ruim. Tem aqueles que a gente gosta mais, e outros menos, e eu amei Ghost. É muito delicado, e duvido que alguém não chore na cena final. Prepare o lencinho!!

INFORMAÇÕES:

Em cartaz no Teatro Bradesco (Shopping Bourbon) até 11 de dezembro

ingressos em www.ingressorapido.com.br